Por: Josaine Airoldi
Ela sempre foi muito bonita e tem um sorriso encantador.
Em todas as aulas esperávamos a mesma cena: ela ir apontar o lápis e próximo à lixeira ficar rindo baixinho.
Do que ria? Não me lembro. Acho que não tinha motivo. Talvez, o que gostava era a “quebra” na rotina da aula.
Estávamos em processo de redemocratização no Brasil.
Naquele tempo, quem não usava o uniforme era impedido de assistir à aula e tinha que voltar para casa imediatamente.
Havia também a aplicação de castigos como: cheirar parede ou permanecer com os joelhos em uma tábua com tampinhas viradas para cima, além dos puxões de orelha…
Em setembro, enfileirados e uniformizados com chuva ou sol marchamos e exaltamos a pátria mãe gentil.
Em casa, à noite ouvíamos o pronunciamento do Excelentíssimo Presidente da República General João Figueiredo, que interrompia a programação normal dos canais de televisão, sempre que bem entendia.
Lembro-me também do Hino Nacional Brasileiro sendo cantado pela Fafá de Belém em meio a uma multidão pedindo: Diretas já!
Acompanhamos pelo Jornal do Almoço as conturbadas brigas do ex-casal: Teixeirinha e Mary Terezinha.
Ao se apaixonar por outro, ela deixou o Rio Grande do Sul dividido.
Mais tarde, ele deixou a todos nós de luto.
Havia, aqui, as peripécias do então prefeito: Sessim – aquele que é até hoje – é idolatrado ou odiado pelos que o conhecem.
Foram tempos confusos para quem não entendia muito bem o que estava acontecendo.
Na minha concepção eu só precisava ser comportada, que nada de ruim aconteceria.
Assim era na escola e assim era em casa.
Acho que por isso o sorriso da Rosângela, a Gracinha, me remetia a ideia que eu poderia também subverter a ordem, pelo menos por alguns instantes.
29/04/2.020
Uma história puxa outra!
https://lembrarparanaoesquecerinfo.data.blog/2021/01/23/se-eu-tivesse-uma-mochila
