Por: Josaine Airoldi
Estávamos voltando da escola quando o caminhão passou por nós, sai em disparada, gritando para os que – supostamente ficariam para trás – que iria embora de carona. Como meu pai não parou, fiquei paralisada no meio da rua sob o sol escaldante de setembro, suportando meus colegas rindo de mim.
Meu pai me disse quando cheguei em casa, que eu poderia machucar minha irmãzinha, por isso não tinha lugar para mim.
Mesmo tendo só 9 anos minha infância tinha sido decretada como acabada pela minha mãe e meu pai a partir daquele dia, afinal eu era a mais velha, então teria que cuidar da irmã mais nova – aquela que tanto tinha pedido, desesperadamente, para os aviões que avistava percorrendo o céu; trouxesse e teria que continuar tendo um comportamento exemplar para a irmã do meio, que também não gostou da sua nova função na família.
Onde minha condição de criança ficava nessa equação?
16/04/2.020
P.S. Somente agora é que soube que os “TDAH” tem baixíssima tolerância a qualquer tipo de rejeição. Minha irmã está com 42 anos e eu sempre que leio ou lembro desse texto eu me vejo naquela manhã de setembro.
17/09/2.025
