Uniforme

     Por: Josaine Airoldi

Naquela tarde eu e a Vanderleia ficamos no pátio da escola vendo a legião de pessoas que se aglomeravam na porta da sala de aula, para receberem um corte de tecido branco – para a camisa e outro corte de tecido azul marinho – para a saia ou para a calça – no caso dos meninos.

Tanto eu – por meu pai ser caminhoneiro e minha mãe ser artesã e a Vanderleia, pelo pai ser construtor e a mãe ser dona de casa – se não me engano – não éramos consideradas alunas de baixa renda, por isso não recebemos o uniforme distribuído pela prefeitura.

No outro ano, além dos pedaços de tecidos, havia um suéter azul marinho os quais todos receberam, independente da situação financeira.

A exigência quanto ao uso do uniforme era rigorosíssima.

Geni, que estudava comigo na terceira série, certa vez teve que ir embora: estava sem o uniforme.

Certa vez, tio Pedro que vendia roupas e vinha de vez em quando para Tramandaí, apresentou um abrigo horrível preto, que era uma das cores permitidas para uniforme – minha mãe não teve dúvidas quando percebeu que a numeração era muito maior do que o eu realmente usava.

Eu tentei várias vezes rasgá-lo.

Não adiantava era de linho e dos bons, para meu azar.

Ninguém tinha igual na escola.

04/12/2.010

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