Por: Josaine Airoldi
Num dia enquanto tentava me equilibrar num ônibus lotado, tive uma sensação muito estranha.
Senti-me protegida sem ser tocada.
Olhei para cima havia um braço másculo, mas não consegui ver de quem era.
Isso só foi possível quando o dono do braço desceu na parada seguinte.
Estava ainda mais bonito e mais alto do que eu me lembrava.
Eu sabia que havia casado com uma garota que eu conhecia de vista e que o casamento não tinha dado certo.
O que fez com que eu sentisse pena dele e muita raiva dela; como ela pode traí-lo? – Eu pensei quando ouvi essa história.
Eu o conheci quando tinha meus sete ou oito anos.
Estava na primeira ou segunda série.
Ia sempre comprar balas após a aula num armazém perto da escola.
Que idade ele tinha nunca fiquei sabendo.
Sei que era mais velho que eu.
As balas a mais do que a minhas parcas moedinhas pagavam vinham um sorriso.
Ele sempre foi gentil comigo e acho que com todas as crianças que por ali passavam.
Mas naquele dia ele não me atendeu, nem sempre ele estava ali.
Quem me atendeu foi o pai dele.
Antes eu não ter entrado ali naquele dia.
Também não me lembro do porquê de querer tomar Coca-Cola depois da aula.
Mas me recordo perfeitamente que rapidamente colocou a tampinha na garrafa do refrigerante, dizendo que eu não tinha dinheiro suficiente e guardou a garrafa novamente no freezer.
O que faltava era muito pouco.
O que não foi pouco foi a minha humilhação que senti vendo a garrafa sendo retirada das minhas mãos.
Como senti falta do Paulo Ricardo naquele dia.
26/11/2.010
