Por: Josaine Airoldi
Domingo à tarde tinha planejado sair.
Não fui.
Ficou tarde.
Tudo começou quando comecei a procurar o orégano para colocar na carne, que estava cozinhando para o almoço.
Tinha certeza que estava num pote dentro de um armário.
Não estava em lugar nenhum.
Nessa empreitada começou-se a verificação de data de validade dos produtos sendo jogados fora os que já estavam vencidos, a limpeza de algumas áreas esquecidas no dia a dia…
Não saí! Mas a cozinha ficou limpa e organizada.
Ao sentar exausta no sofá da sala me deparei com ele impassível e empoeirado pregado na parede, está sempre lá esperando que seja limpo, que seja colocado um dos ponteiros que caiu e que também sejam trocadas as pilhas que o fazem produzir seu indiferente tique-toque.
Qualquer dia mando arrumar – assim com todo o resto que precisa de algum conserto.
Fui ensinada a fazer o que é certo.
Fui ensinada a pensar sempre no bem estar dos outros.
Fui ensinada a não dar opinião quando os adultos estavam conversando.
Sendo adulta não consigo decidir o que é realmente relevante para determinado momento.
Às vezes, me proponho a não tomar decisão nenhuma.
Fico à deriva, sem rumo…
Não quero ser responsável por qualquer coisa que possa acontecer em decorrência da minha interferência ou pela minha alienação.
Fico ao sabor das consequências da minha não-ação.
É uma maneira tosca de me rebelar contra aquilo que me aflige.
Às vezes, é mais cômodo culpar algo aleatório sobre o que dá errado ou não acontece como desejado, do que encarar que sou responsável pelas minhas decisões ou pelas minhas não-decisões.
Não sai num domingo à tarde como tinha planejado e queria, mas a culpa não foi minha, a culpa é do orégano.
A pergunta que fica é: por que eu faço isso?
05/01/2.020
