Por: Josaine Airoldi
Sempre nos oferecia Halls preto, que ardia muito na boca, então, colocávamos fora.
Não sei por que nos oferecia.
Também não sei porque aceitava se sabia que colocaria fora. Acho que era a forma de retribuir a atenção que me dava.
Ele gostava de participar das nossas brincadeiras – ia nos visitar embaixo das árvores – que era onde ficava nossas casas – entrava e sempre pergunva como estávamos e também sempre cumprimentava a nossa amiga e vizinha imaginária.
Nesses momentos não éramos crianças, éramos donas de casa atarefadas com as lides domésticas. Tínhamos até outro nome.
Ele era amigo do meu avô e se tornou namorado da minha tia e, de vez em quando, vinha visitá-la e por morar longe ficava o fim de semana, por isso dormia no sofá da sala da casa da minha avó.
Como o interesse da amada era pouco.
Só restava o bar que ficava próximo de onde morávamos.
Minha irmã adorava acompanhá-lo nessa empreitada, pois o rapaz lhe dava o que pedia.
Ela servia como anjo da guarda lhe guiando no caminho de volta.
Lembrando dos dois juntos parecem a Marsha e o Urso.
O namoro não durou.
Ficaram com lembrança um disco do Júlio Iglesias presente dele para a namorada, que eu adorava ouvir, apesar de não entender o porquê de tantos lamentos e uma foto dos dois juntos no álbum de quinze anos da minha tia.
17/04/2.020
