Por: Josaine Airoldi
– Quer ficar no meu lugar? O trabalho é simples. O lugar é pequeno. Não há muito a ser feito.
– Quero sim!
Cheguei explicando…
– Minha prima me mandou.
– Ótimo! – respondeu entusiasmado.
– Posso começar amanhã mesmo à tarde. Estudo pela manhã – respondi esperançosa, era uma ótima oportunidade para uma garota de 17 anos.
Rapidamente me mostrou tudo e explicou as minhas atribuições.
Se ateve numa recomendação:
– Isso é importante: anotar aqui tudo o que não tivermos, caso alguém procure.
Olhei o papel ao lado do caixa e pensei: isso é fácil.
No outro dia, me deu as boas vindas e saiu dizendo que voltaria logo em seguida, o que não aconteceu nem naquele dia nem nos demais.
Voltando quis saber:
– Tudo bem por aqui.
– Tudo! – respondi sorrindo, tentando demonstrar tranquilidade.
– Algum medicamento a ser encomendado?
– Está anotado.
Olhando minhas anotações…
– Esse eu preciso encomendar.
– Esse não, porque nós temos.
Depois que me recuperei do susto – pois não poderia demonstrar incompetência – respondi:
– Eu procurei em todos os setores: nos comprimidos, nos injetáveis,… E nada.
– Não procurou aqui nesse balcão.
Olhei aparvalhada.
– Eu nunca achei que procurasse esse produto pela marca…
O fato é que nenhuma figura de linguagem foi capaz de fazer com que ele não percebesse que eu não sabia o que era Jontex.
05/01/2.010
