Por: Josaine Airoldi
Tudo começou quando a Nane me impôs que eu tinha que escolher algum menino para gostar. Eu não gostava de nenhum menino, talvez por ter apenas dez anos, mas como nunca gostei de ser a “diferente,” comecei a observar os colegas de turma, afinal para ser meu primeiro amor, não poderia ter nada que de alguma forma me desagradassse.
Lembro que…
Leandro: andava de maneira desengonçada, era muito chato e metido a sabichão.
Gilmar – o Batatinha – acho que o apelido era em referência ao personagem do desenho animado: Manda Chuva – era muito baixinho.
Jair: muito alto, feio e muito mais velho que eu.
Luciano: bastante mal educado.
Genésio: sem graça e repetente.
Jerônimo: muito extrovertido.
Hélio: vivia ficando de castigo por ser mal-comportado.
Quando estava quase desistindo comecei a reparar nele. Era: franzino – mas tinha minha altura – era loiro, os olhos eram castanhos, bom aluno e educado com os colegas… Tinha que ser … Adriano..
Anunciei em alto e bom som para a Nane e para a Eliane que tinha escolhido um menino para gostar, mas não diria o nome, morreria de vergonha, se ele soubesse. Na verdade eu tinha medo que alguma delas contasse para a minha mãe, por isso embora, todos os dias insistiam em saber, eu nada dizia.
Qual não foi meu encantamento ao ler o seu nome de amigo secreto. Minha avó providenciou o que eu daria. Estava radiante até constatar que teria que entregar um talco Pompom para o menino dos meus sonhos, mas na falta de outra alternativa, entreguei o presente sem olhar a sua reação.
Meu mundo caiu mesmo tempos depois quando chegou na festa junina de braços dados com a Hélia – irmã gêmea do Hélio – de um lado e a Geni do outro. Vendo os três alegres e sorridentes, subitamente comecei a me sentir cada vez mais estranha dentro daquele vestido enorme para meu tamanho e a ausência de saia de armação ficou mais evidente.
Não aguentei a humilhação e fui embora.
Adriano não tinha como saber que tinha saber … – eu pensava – enquanto enxugava as lágrimas que teimavam em cair.
04/02/2.020
P.S. Ao longo dos anos Adriano foi minha referência de par ideal – esbarrei com alguns parecidos com ele – mas casei com um “sapo” e em 17 anos de convivência se mostrou que nunca deixaria de apenas um “sapo”. Atualmente, estou muito bem na minha própria companhia.
30/10/2.025
