Conto de fatos 

Por: Josaine Airoldi

Certa vez numa cidadezinha igual a muitas outras por aí tinha uma casa, nessa casa tinha ela sozinha, sentada na varanda, sob o sol de agosto olhando para o nada, perdida em seus pensamentos, revisitando o passado.

Conversou com sua versão criança e conseguiu perdoá-la, pois tinha feito o melhor que podia com as possibilidades que dispunha.  

Logo reconheceu sua versão adolescente e a acolheu como gostaria que tivessem feito.  

Foi assim que a sua versão adulta conseguiu entender que ninguém vai vir no alto da torre para lhe salvar. Tem que, simplesmente, descer degrau por degrau, segurando firme no corrimão para não cair e se preciso for, enfrentar o dragão e mostrar a ele, quem manda.

É necessário também encarar o espelho sem desviar o olhar, pois cada linha de expressão conta um pouco do que viveu de bom e ruim.

Viu, talvez pela primeira  vez, além das aparências, compreendeu  que belo é quem tem responsabilidade afetiva. Se não for assim, não serve e não importa o quanto pareça ser encantador o seu mundo. 

 Além disso, não precisa despertar a partir da chegada de alguém que invada seu espaço e depois vá embora sem nenhuma explicação, deixando-a num vazio imenso e se perguntando o que fez de errado dessa vez.

Foi assim, depois muitos momentos de extrema solidão e autocrítica compreendeu que o passado é um lugar para se visitar, de vez em quando, não para se morar e que é óbvio que não se obtém resultados diferentes se  mantiver o  modus operante. Desse modo, não tinha tanta importância os traumas, os vários: o que poderia ter acontecido se… ,  o que viveu de ruim…  Estava pouco a pouco se sentindo preparada para seguir sem mágoas, ressentimentos,  sem amarras… 

Com certeza, foi muito difícil chegar até constatação desses fatos, então tem que faz valer a pena cada momento bom que está por vir porque, finalmente, compreendeu que é a protagonista da sua história. É quem tem que dirigir, atuar, produzir e colocar em cena o enredo que escreve, pois a vida acontece no agora.

Então, escolhe um novo caminho para obter outras respostas, porque a vida acontece no agora.

Lulu Santos sempre teve razão quando disse que…”Nada do que foi será / De novo como foi um dia  / A vida vem em ondas como o mar / Tudo que se vê não é igual ao que foi a um segundo… “

Bora lá, que dias melhores virão

09/08/2.025 

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