Aos domingos

Por: Josaine Airoldi

Visita dos primos aos domingos era sinal de refrigerante na minha casa.

– Vão buscar. – Ouvíamos sempre.

Íamos – todos eufóricos pelo reencontro  – segurando firme os “cascos”  que balançavam dentro das sacolas. Como não tínhamos geladeira por não ter luz elétrica – voltávamos o mais rápido possível – os refrigerantes não podiam “esquentarem”.

Assim estávamos quando de repente uma garrafa cai, espatifa-se no chão. Fico por alguns segundos olhando o líquido se esvaindo no asfalto quente do mês de fevereiro. 

Fico com a cabeça baixa esperando que algum adulto viesse em meu socorro e  milagrosamente aconteceu:

– Não foi culpa tua, em dia isso acontece muito: as garrafas simplesmente explodem.

Logo o assunto perdeu a importância e fomos para a rua brincar como sempre fazíamos.

Recordando essa história – consigo lembrar daquela garotinha olhando abismada para os  cacos deixados pelo caminho e desejando ser amparada quando mais precisava…

Domingo almoço na minha casa.

                                          30/06/2.010