Com que roupa eu vou?

Por: Josaine Airoldi

Com que roupa eu vou? 

Além de ser o título de um samba, é também uma das vilãs da minha existência. Nunca sei como me vestir.

Às vezes, faço uma limpeza no guarda-roupa: retiro tudo que eu acho que não faz parte da minha nova versão. Momentaneamente, tenho uma sensação de autocuidado…

Quero escrever sobre a capacidade que tenho para escolher roupas erradas, mas o Nicolas Cage está na televisão. 

O filme eu já vi é muito bom, apesar de ser impactante: Oito milímetros

Com que roupa eu vou? 

Não sei. O Nick tomou por completo a minha atenção. Além disso, o  frio congelante impede minha vontade de fazer qualquer outra coisa.

Continuo escrevendo enquanto o filme se desenrola na tela da televisão, pois preciso aprisionar os meus fantasmas reprimidos.

Eu tenho essa dificuldade.

Qual?

Entendo então que são duas: escolher a roupa adequada e permanecer por longo tempo realizando a mesma atividade.

Ah! Com que roupa eu vou? Não sei. O importante é que Nicolas Cage aqueceu minha tarde fria e solitária de sábado.

21/07/2.010

Não era sobre isso que queria falar…

Por: Josaine Airoldi

Às vezes, basta tentar um caminho ainda não percorrido.

Estou há dias tentando concluir um curso on-line e não consigo. Já fiz quase tudo e não consigo receber a resposta: 100% concluído.

Por falta de atenção, talvez, ou por má-vontade eu abri páginas em excesso e não consigo fechá-las. Não quero pedir ajuda.

Tenho vergonha de explicar para algum desconhecido que eu abri oito páginas indevidamente, ou seja, eu consegui repetir o mesmo erro por oito vezes.

Eis, então, que sigo a ordem dos fatores e qual não foi minha surpresa: eureca!

Consegui.

Tão simples.

Oh! Não, faltou luz!

Continuo tateando as teclas, mesmo no escuro, preciso aproveitar que estou inspirada para escrever.

Afinal, para alguma coisa tem que servir ter morado tantos anos em um lugar sem luz elétrica.

Minha mãe dizia que eu era teimosa igual a porco de cangalha.

Cangalha eram três pedaços de paus amarrados com arame em forma de triângulo que eram colocados nos porcos para que estes não fugissem do cercados onde ficavam. Mesmo assim sempre tinham os que não se intimidavam com tal artifício e tentavam sair, ficando presos… Afinal, era para isso que as cangalhas serviam…

Tem momento que me sinto assim: teimo em algo que, apesar de perceber que não está certo, eu continuo…

Não consigo parar ou consigo e opto por prosseguir… É como se a insistência fizesse tudo se resolver.

Claro, posso culpar o déficit de atenção, que faz um estrago em qualquer vida por aí, se não tratá-lo corretamente…

Ai se alguém segura o leme / Dessa nave incandescente… – dizem Kleiton e Kledir na minha mente, que já se desviou do que estava fazendo…

27/04/2.020

Ela

Por: Josaine Airoldi

Ela era sempre indiferente à minha admiração, embora linda e perfeita. Todos os dias eu ia visitá-la. Ela era inacessível para mim

Percebi isso quando me dei conta que o seu valor era dez vezes o que eu tinha entendido, ou seja  não eram R$ 14,50 e sim R$ 145,00 – se fosse nos dias de hoje. 

Pior de não poder tê-la, foi vê-la ser de outra criança, que nem mesmo a desejou como eu.

Os adultos podem ser cruéis de vez em quando: de todas as bonecas existentes na loja tinha que escolher a única que desejei, mesmo nunca tendo ficado sabendo disso.

Tudo bem que a criança em questão era sua neta e eu apenas a filha da sobrinha do marido, que estava passando uns dias de férias em sua casa.

Ela ficou para sempre entre as coisas que sempre desejei e nunca tive.

25/12/2.020