Por: Josaine Airoldi
Segunda-feira.
Amanhece.
Manhã gelada.
Tenho que levantar.
Penso e repenso nos prós e contras.
O telefone que está na sala toca.
Ignoro.
Ele toca novamente.
Não desistem.
Levanto após muito esforço.
Não era nada de importante.
Poderia não ter atendido, mas atendi e para atendê-lo levantei; se me levantei vou ter que ir.
Banheiro.
Escovar os dentes.
Banho
Toalha.
O que vestir?
Qualquer roupa que me mantenha aquecida.
Saio.
Percebo que está mais frio do que eu imaginava.
Chego.
Todos reunidos.
Tento não ser notada.
Sento sem fazer muito barulho.
Já basta chegar atrasada.
Não consigo me concentrar.
Preciso estar aqui?
Posso não estar?
Talvez.
Aqui estou: congelada.
Não sinto os meus pés.
Estão paralisados.
Escuto sem muita vontade.
O assunto do momento é: habilidades e competências.
Grupo.
Aceitação.
Diferenças.
Autossuficiência.
Autonomia.
Ao longo dos anos nessa profissão descobri que algumas coisas jamais irão mudar e que fazem parte do processo.
Descobri que se escrever, mesmo que bobagens o tempo passa mais rápido.
Então escrevo.
Escrevo para conseguir aguentar o frio congelante do mês de julho.
Escrevo sobre o quê?
Não é importante sobre o que escrever.
O importante é escrever.
Aprisionar os pensamentos que estão à solta na tentativa da manutenção da sanidade mental.
O tempo está passando mais rápido agora.
O frio está diminuindo, pois o sol está se impondo..
Continuo escrevendo: trechos da palestra.
Trechos de conversas paralelas ao meu redor.
Trechos de algumas constatações óbvias olhando tudo em volta.
Jamais vou conseguir realizar tudo o que deixei para trás.
Não vou ser popular na escola, embora eu ainda esteja na escola.
Não vou ser uma exímia dançarina.
Há coisa que se não acontecem no tempo que tem que acontecer nunca se tornarão reais.
Não vou ser uma boa cozinheira, simplesmente não gosto de cozinhar, embora acho esse ofício sublime.
Talvez, possa continuar sendo uma boa amiga, uma filha compreensiva, uma irmã presente, uma mãe carinhosa, uma esposa companheira, uma profesora eficiente… Para uma existência, talvez basta.
Afinal, certas habilidades são para certas pessoas que têm certas competências ou vice-versa.
21/ 07/ 2.019