Ele e ela

Por: Josaine Airoldi

Ele se foi.

Ela ficou e pela primeira vez – depois de meses sendo corajosa – se permitiu chorar.

Ele se foi.

Ela ficou com a convicção de que tinha feito tudo que era possível para amenizar a sua dor.

Ele se foi

Ela ficou com todos os fantasmas a assombrando.

Ele se foi. 

Ela ficou observando as horas que iam passando e percebeu que não havia tempo para lamentações.

Ele se foi. 

Ela ficou com as últimas palavras dele ecoando na sua mente: por que é tão cruel?

Ele se foi.

Ela ficou e pensou que, talvez, estivesse se referindo ao câncer que se alastrou sem dó nem piedade e persistiu em não abandoná-lo.

Ele se foi.

Ela ficou com a certeza que demonstrou gratidão por tudo que viveram juntos e compaixão pelo seu sofrimento, enquanto planeja o que fazer com todos aqueles equipamentos hospitalares, que estão ocupando a sua sala de estar.

Ele se foi.

Ela ficou com tudo o que restou: lembranças,  remorsos, angústias e incertezas…

Ele se foi.

Ela ficou com a pergunta que ambos faziam, sem obter resposta:  

– Por que comigo?

Ele se foi.

Amanhã será outro dia – ela pensou.

12/01/2.021

Triângulo amoroso tupiniquim

Por: Josaine Airoldi

A história era para ser minha e do Moacir, mas o destino não quis. – disse certa vez Jussara.

Como contra o destino não há como lutar – assim alguns acreditam – tornou-se a história de Moacir e Jurema.

Jussara gostava do Moacir.

Moacir, talvez gostasse de Jussara.

Jurema também gostava do Moacir.

Enquanto Jussara acreditando que seria feliz para sempre com Moacir numa casinha que não fosse de sapê, Jurema anuncia que engravidou.

Talvez o desenlace desse folhetim fosse diferente se não houvesse a presença do filho nessa história.

O fato é que diante do acontecido, ao pai não restou alternativa – o casamento entre Jurema e Moacir era necessário e urgente – mesmo sabendo o quanto magoaria Jussara – a filha mais querida.

Tempos depois Jussara não suportando a desilusão bem longe dali foi morar e com outro se casou.

Assim tristes ficaram os três.

Cada um escondendo suas dores e decepções com frágeis máscaras.

Moacir na bebida encontrou acalento.

Jurema na mágoa mergulhou.

Jussara percebendo que nem sempre encontraria abrigo, naquele que escolheu para substituir Moacir, filho com ele, nunca quis ter.

Sempre que esse assunto é trazido à tona, percebo o olhar distante dela, como tivesse tentando se convencer que não era para ser.

Quem de nós poderá saber?

29/04/2.020