Por: Josaine Airoldi
Ela apareceu certo dia. Chegou sem ser convidada. Foi logo bem acolhida pela minha avó, que recebia bem a todos: os transeuntes que pediam abrigo, os que vendiam bugigangas, os que se ofereciam para ajudar no que fosse necessário em troca de algum prato de comida ou de alguns trocados…
Era alta, delgada, tinha o couro amarelado e o focinho fino, não sei de que raça, mas era bem diferente dos outros dois que tínhamos: o Macaco e o Leão.
Além deles tínhamos o Betinho, que como ela apareceu certa noite e foi ficando, se tornando o gato da família.
Doroteia – esse é o nome que demos a ela – tinha uma particularidade canina excepcional: somente atacava mulheres, com os homens era cordial e amistosa.
Doroteia era exímia em trazer panelas dos vizinhos para casa e também as levava. Tínhamos panelas sem tampas e tampas sem panelas.
Sentimos muito a falta dela quando percebemos que não voltaria mais.
Doroteia não era de se apegar.
20/11/2.010

Aí no sul é comum falar focinho em lugar de nariz? Aqui em Minas focinho só pra bicho .
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Acho que quis “humanizar” o máximo que foi possível a Doroteia.
Só não sei se ela iria gostar disso.
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