Eu estava somente divagando solitária e triste.
A reunião terminou mais cedo do que eu tinha previsto.
Não estava a fim de retornar para a escola e muito menos ir para casa.
Então, me restava a praia, a imensidão azul do mar, o eterno incansável ir e vir das ondas…
Estava vestida de: professora-titular que tem reunião na escola da estagiária.
Então, tive que improvisar: tirei o calçado e arremanguei as calças para poder sentir a água gelada, mas aos poucos fui entrando um pouquinho mais…
Gosto da água do mar chegando devagarinho, me trazendo à realidade.
– Oi! Quer carona? – me perguntou!
Eu estava tão absorta nos meus pensamentos, que esqueci de todo o resto.
Olhei em direção daquela voz.
Encontrei um rapaz: jovem, bonito, simpático…Parecia preocupado comigo, não sei por quê. De certo achou que eu era louca.
Não respondi.
Então, achando que eu não tinha entendido ou não tinha ouvido, aproximou ainda mais o carro e repetiu:
– Quer carona?
Olhei em volta a praia estava quase deserta.
As ondas do mar indiferentes a tudo e a todos.
Estava tão perdida em mim mesma que resolvi aceitar.
Durante o trajeto: contou que era representante de uma marca de calças jeans e estava voltando para Porto Alegre, naquele momento.
Ofereceu-me uma calça do mostruário – a minha estava totalmente molhada, mas não aceitei.
Expliquei que não tinha intenção de entrar mar adentro.
Não tinha coragem para algo tão trágico.
Queria apenas um pouco da serenidade que sempre encontro ao caminhar pela beira do mar, deixando a água me levar…
O nome dele eu esqueci, mas lembro-me que beijava bem.
Lembro-me também do jeito que me olhava.
Deixou-me em casa sã e salva.
Deve ter contado para alguém que, salvou uma desconhecida, numa manhã qualquer a beira-mar de Tramandaí, da melancolia em que estava mergulhada.
Deveria ter aceitado a calça.
29/04/2.020
