O tio polícia

Por: Josaine Airoldi

São três irmãos. – Ela me conta.

Foram três bons amigos.  São três histórias que ficaram guardadas com muito carinho.  

Moravam à beira do rio numa casa simples de madeira com a mãe e a avó.

Quando nos encontrávamos na minha casa que também era de madeira e muito simples, mas ficava a beira da rodovia, agiam como se estivessem em outra cidade.   Sempre que passava uma viatura da polícia gritavam:

– Olha lá o tio Polícia!

Quem os ouviam falar tinha a impressão que conheciam toda a incorporação policial. Na verdade eles reconheciam apenas a viatura e por isso deduziram que dentro havia o amigo policial da mãe.

O mais velho era muito desengonçado e muito estranho, por isso eu odiava quando me comparavam a ele.

O mais novo e o mais bonito dos três – era com quem minha irmã iria casar nas brincadeiras que fazíamos.

O do meio cujo nome não sabíamos, sempre o chamávamos pelo apelido, era o que sempre se metia em confusão.

Certa vez minha avó pediu que ele buscasse umas coisas para ela. Ele foi – com má vontade – mas foi.

Embora tenha trazido o que foi solicitado, teve que voltar, porque minha avó não acreditou na história de que tinha sido logrado pelo proprietário. Pegando-o pela mão, se dirigiram ao armazém para constatar o que já sabia: o troco foi entregue corretamente.

Ora, se não estava com o menino e muito menos com o proprietário do armazém onde estaria o dinheiro?

Estava entre a vegetação da estrada em dezenas de pedacinhos que o vento se encarregou de espalhar.

Assim como o dinheiro, a nossa convivência foi se dissipando aos poucos com o passar do tempo, pois cada um tratou de cuidar da sua vida, mas os bons momentos ficaram…

Não há como esquecer dos domingos em que tomávamos porres com vinho misturado com água e açúcar, ou do dia que assistimos ao filme de kung fu sentados amontoados,  mas super contentes por estar dividindo aquele momento. Também ficaram no rol das boas lembranças o quanto eram gostosas as laranjas do céu que íamos colher na chácara onde moravam.

Quando olho a foto em que estamos abraçados em frente à cerca da minha casa sob o frio congelante de agosto, lembro-me o quanto é bom ter tido bons amigos na infância. 

Quando paro de anotar, por uns instantes, para olhá-la e dizer o quanto boas amizades são importantes, percebo que está com os olhos marejados de lágrimas.

Nada a mais a acrescentar…

20/11/2.010

2 comentários sobre “O tio polícia

  1. É curioso como amigos de infância que ficamos muito tempo sem contato, ao reencontrá-los, é muito estranho… Você tem a sensação de que são as mesmas pessoas, mas elas não são mais as mesmas. Mas você também não é a mesma …

    Curtir

Deixar mensagem para tsukudarui Cancelar resposta