O almoço

Por: Josaine Airoldi

Hoje parece engraçado a história que minha amiga nos conta enquanto saboreamos um delicioso almoço feito por ela, mas na época em que ocorreu o fato não foi – tanto que    percebo o quanto isso ainda a incomoda, apesar das inúmeras risadas que ecoam ao narrar o fato acontecido.

Mesmo sendo crianças, o pai levava-os para a pedreira – trabalho árduo, mas necessário em vista das poucas condições de criá-los como desejava.

Era tudo escasso: alimentação, afeto, inocência…

Certa vez o irmão, que na falta de condições de assumir outra tarefa por ser “doido” – era encarregado de esquentar o almoço, acrescentou umas tábuas recolhidas próximo de onde estavam, para que o fogo não se extinguisse.

De repente, um cheiro forte foi sendo espalhado pelo ar. 

Foi então que perceberam que se tratava de restos de um caixão que estava ardendo em chamas e impregnando a comida e impossibilitando-a para consumo.

Naquele dia as frutas que, pacientemente esperavam para serem colhidas por quem se interessasse por elas, serviram de almoço.

A loucura te exime de um sofrimento que a lucidez não permite

Às vezes, ter consciência pode ser cruel, pois nos faz guardar na memória coisas que não se quer lembrar, que afloram sem consentimento ao ser aguçado por uma situação. 

01/02/2.020

Um comentário sobre “O almoço

Deixar mensagem para tsukudarui Cancelar resposta