Aos domingos

Por: Josaine Airoldi

Visita dos primos aos domingos era sinal de refrigerante na minha casa.

– Vão buscar. – Ouvíamos sempre.

Íamos – todos eufóricos pelo reencontro  – segurando firme os “cascos”  que balançavam dentro das sacolas. Como não tínhamos geladeira por não ter luz elétrica – voltávamos o mais rápido possível – os refrigerantes não podiam “esquentarem”.

Assim estávamos quando de repente uma garrafa cai, espatifa-se no chão. Fico por alguns segundos olhando o líquido se esvaindo no asfalto quente do mês de fevereiro. 

Fico com a cabeça baixa esperando que algum adulto viesse em meu socorro e  milagrosamente aconteceu:

– Não foi culpa tua, em dia isso acontece muito: as garrafas simplesmente explodem.

Logo o assunto perdeu a importância e fomos para a rua brincar como sempre fazíamos.

Recordando essa história – consigo lembrar daquela garotinha olhando abismada para os  cacos deixados pelo caminho e desejando ser amparada quando mais precisava…

Domingo almoço na minha casa.

                                          30/06/2.010

2 comentários sobre “Aos domingos

  1. Olá! Não era na zona rural. Pouco afastado do centro da cidade, mas não tinha rede de luz próxima, por isso para termos luz elétrica teria que meu pai pagar – o que ele nunca teve nenhuma pretensão ou a prefeitura providenciar. O que aconteceu somente em 1983 por intermédio de um vereador que era conhecido da minha avó.

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