O filho do carvoeiro

Por: Josaine Airoldi

Perto da minha casa havia uma família que produzia carvão.

Eram conhecidos como: os carvoeiros.

Na chácara onde moravam tinha um portão altíssimo e em cima tinha a cabeça de boi ou vaca com uns chifres enormes que eu e a Nane apelidamos de Valério.

Valério era um menino chato que defendia as formigas que, na falta de algo melhor para fazermos, gostávamos de matá-las.

Certa vez, apareceu outro menino.

Era franzino, bem mais velho que nós, com sardas no rosto e com cabelo meio avermelhado.

Nós morríamos de inveja dele por ter uma bicicleta, mas como não queríamos que ele percebesse fingíamos que estávamos muito bem indo e vindo a pé da escola todos os dias.

O que fazia ele inventar maneiras diferentes de passar por nós todos os finais de tarde.

Fez tanto até que conseguiu chamar a atenção.

Parou a nossa frente, retirou da sacola um pote, abriu-o, bezuntou o dedo, lambendo–o logo em seguida.

O que é isso? – queríamos saber.

– É chimila – respondeu.

– Chimia! – Corrigimos.

 – Não, chimila! – Repetiu

Apelidamos de Chimila, o filho do carvoeiro, que a partir daquele momento passou a ser oficialmente nosso amigo.

19/05/2.020

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